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  • Carla

A vida dentro da pausa

Atualizado: Jun 28

Hoje, minha filha e eu fomos dar uma pequena volta, dessas pra recarregar a bateria e aguentar mais alguns dias nesse isolamento sem fim.


Temos feito isso, às vezes, procurando por lugares pouco habitados e de preferência bem pertinho da natureza. Passeios curtos, em locais próximos ou cidadezinhas que nunca visitamos antes.


Gosto de estar na estrada, gosto da quietude de dirigir em estradas…


Pra hoje, escolhemos um cantinho bem perto daqui, silencioso e com um bom trecho pra andar de bicicleta em meio às árvores e sem grandes interrupções.


Chegamos animadas, tiramos as bikes do carro, colocamos os capacetes, óculos de proteção e lá fomos nós…


As primeiras voltas foram agitadas, no desejo de que pudéssemos rapidamente recuperar a energia perdida entre os dias dentro de casa.


Nada aconteceu... só cansamos rápido.


Resolvemos sentar um pouco, beber água e olhar as árvores. Buscávamos a quietude delas dentro de nós, mas, nada... continuávamos agitadas por dentro.


Então, assumimos que cada uma queria seguir de uma maneira diferente naquele passeio... ela queria apenas caminhar um pouco, enquanto eu queria continuar andando de bicicleta. Assim fizemos, cada uma pra um lado da estradinha.


Quando voltamos a nos reunir depois de alguns minutos, tínhamos coisas incríveis pra compartilhar.


Eu havia diminuído o ritmo na bike e assim pude encontrar um pica-pau bem divertido; um bem-te-vi majestoso; um camaleão meio verde, meio cinza; borboletas que voaram ao meu lado enquanto pedalava; flores roxas e amarelas quase imperceptíveis; pássaros dançando pelo ar.


Ela havia se encantado com dois cavalos que brincavam ali perto, conseguindo até tocar o mais novo; também viu um grande touro negro; um pequeno grilo; várias flores coloridas e talvez a maior de todas as descobertas... quando voltou me dizendo com um grande e lindo sorriso no rosto... “mãe, eu estive no Agora e foi simplesmente esplêndido”.


O cenário era o mesmo, sem nada ou ninguém diferente.


Então, o que fez tudo mudar?


O que mudou foi nosso olhar, nosso ritmo, nossa conexão com o ambiente, com o agora. Só diminuímos o ritmo.


Assim, descobrimos muitas coisas acontecendo o tempo todo ao nosso redor, coisas incríveis puderam ser percebidas dentro da nossa pequena pausa.


O passeio terminou com um banho de chuva, renovando a alma e fortalecendo o coração.


E quando estávamos de novo no carro, de volta pra casa, olhamos uma pra outra e concordamos que parecia que tínhamos passado a tarde mergulhadas em uma piscina. A sensação era de leveza e quietude.



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